sábado, 2 de fevereiro de 2013

Tarde de chuva



Há tempos haviam marcado de ir ao boliche. Uma pena que o domingo combinado coincidiu exatamente com uma tarde de domingo chuvosa péssima para sair, mesmo assim foram pois há tempos estavam adiando.
Os outros já estavam doidos atrás dela, ligando e mandando mensagens para confirmar que ela iria. 
Apesar de já estar pronta para sair e com uma imensa vontade de ir jogar boliche com seus amigos, ela olhava pela janela da sala a chuva incessante que caia e imaginava como faria para chegar até o ponto de ônibus para pegar o ônibus que ia para a estação.
Com sua sombrinha rosa em mãos, a bolsa bem colada ao corpo e uma coragem adquirida de ultima hora, laá foi ela em direção ao ponto de ônibus. Esperou cerca de 10 minutos até que enfim passou o tão esperado ônibus em direção a estação de trem.
Ao chegar, sentiu como se o esforço de correr na chuva, molhando sua sapatinha e a maior parte de suas pernas, tenha valido a pena pois seus amigos estavam lá a sua espera. Impacientes, mas estavam ali.
Embora a tarde tenha sido de júbilo, o que marcou o dia em sua memória foi o caminho de volta e o acontecimento mais inusitado que poderia ocorrer. 
Ao som do bom e velho Jazz de New Orleans, que um deles tinha no celular, lá estavam eles esperando o trem para voltar para casa. Com a Estação não muito cheia e com a alegria que ela estava, pediu ao amigo dono do celular que a ensinasse alguns passinhos dessa dança tão contagiante. Ele concordou.
E em questão de minutos lá estavam os 2 rodopiando ao som de jazz em um certo espaço da estação. 
Foi então, ao pararem, que perceberam um casal de idosos próximos a eles. O senhor, aparentando já seus bem vividos 70 anos, estava com um sorriso que transbordava alegria a quem visse. Virando-se para ela, comentou:
- No meu tempo de jovem, costumava dançar músicas assim. Vocês dançam muito bem, se não for abuso, gostaria de dançar com você. 
Ali parada sem reação, ela se viu diante de uma mão enrugada estendida em sua direção. Quando seus amigos falaram coisas como "vai, dança" ela se convenceu a dançar com o senhor. E por incrível que pareça, ela se sentiu como se estivesse dançando com alguém em um baile dos anos 60.
Ao acabar a música, lá estava o trem chegando na estação. O senhor agradeceu a dança e aos momentos de nostalgia que o jovem grupo proporcionou a ele. 
E, por fim lá foram eles, embarcando no trem de bolta para casa imaginando o quão aquele dia fora inusitado e ficaria gravado na memória. 

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